Brasília, 15 de julho de 2026.
“A utilização da IA de forma híbrida, com a revisão e acompanhamento humano, vai contribuir bastante para termos uma engenharia mais tecnológica, baseada em dados e evidências”. Envolto com o universo da Inteligência Artificial há alguns anos, o engenheiro civil Ihan Barbosa é um especialista em torno da utilização da ferramenta no contexto da construção civil. Nesta segunda matéria da série dedicada à IA na Engenharia, Agronomia e Geociências, ele nos explica os caminhos e os rumos que esta convivência já oferece e pode vir a, cada vez mais, proporcionar.
Na entrevista a seguir, ele diz ainda que “as habilidades analíticas e a resiliência que nós engenheiros temos e nos são ensinadas desde a faculdade aceleram muito a aprendizagem constante desse tema”. Um verdadeiro convite para que estudantes, futuros estudantes e profissionais possam adaptar-se a esse novo contexto, que ele defende que faça parte da vida do engenheiro, desde a sua formação.

Para os que já estão em atividade e ainda não se envolveram com a nova tecnologia, o palestrante do 29º Painéis da Engenharia, do Senge-RS – onde discutiu “Engenharia de Dados e IA na construção civil: desafios e oportunidades na prática”, ao lado do também engenheiro civil Lucas Reginato, em 2025 – ressalta: “profissionais que entendem como aplicar essa tecnologia no seu âmbito de trabalho já estão saindo na frente. O maior risco do desemprego pela IA não será causado diretamente pela tecnologia, como muitos pensam, mas sim, pela defasagem produtiva que aqueles que ignoram a IA terão frente aos que já se adaptaram”.
E sugere que “a porta de entrada” seja a IA Generativa, defende que “é preciso identificar onde estão os maiores gargalos e trabalhar em cima do que realmente gera valor” e considera sua aplicação em todo o ciclo de vida do empreendimento, “da concepção à operação do ativo, auxiliando desde a análise de pranchas, contratos e cronogramas, até o monitoramento contínuo de estruturas por meio de gêmeos digitais”.
- Credenciais da UFMG, da FGV e do MIT em projetos da Ernest & Young para a América Latina
Em uma das mais famosas empresas de auditoria e consultoria internacionais, a Ernest & Young (EY), o engenheiro civil Ihan Brabosa lidera a frente de inovação digital para grandes projetos de capital na América Latina. “Combinamos metodologias consolidadas como BIM, AWP e Lean com o uso de IA e Digital Twins”.
Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com pós graduação em Gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo programa Applied Agentic AI, do MIT Professional Education.
Auditor Líder em ISO/IEC 42001 (governança de IA), ele liderou a implementação de agentes de IA para gestão de riscos em grandes projetos de mineração, iniciativa que otimizou em 85% o fluxo de trabalho e identificou mais de R$ 18 milhões em economia potencial.
Depois da IA Generativa, aponta o especialista, “o caminho natural é começar a usar IA dentro de ferramentas que o engenheiro já conhece”. Para Ihan Barbosa, vários softwares BIM, de planejamento e de gestão já trazem funcionalidades de IA embarcadas. “A curva de aprendizado é menor porque a IA está integrada ao fluxo que ele já domina”. A propósito da integração entre BIM e IA, ressalta: “a metodologia BIM, quando implementada da forma correta, acelera a adoção de IA nos processos, atuando como uma camada estruturante para os dados do projeto”.
São muitas as vantagens, portanto. Mas, como em tudo na vida, há ponderações. Na visão de Ihan, elas se referem a dois riscos, que também estariam presentes fora desse contexto digital. “Há um risco na perda do senso crítico do profissional que utiliza IA. Se o engenheiro passa a delegar 100% do trabalho e para de revisar a saída da IA, aos poucos ele perde a capacidade analítica que possui. A realidade é que precisamos tratar a IA como um funcionário novo na empresa, dando todo o direcionamento necessário e revisando a entrega em um trabalho crítico. Um outro ponto é que, se todos temos acessos às mesmas ferramentas, não existe um diferencial competitivo tecnológico, ele passa a depender do fator humano. Um engenheiro sênior com uma ferramenta de IA tende a gerar muito mais valor que um engenheiro júnior com uma ferramenta similar ou até melhor”.
Conheça alguns outros pontos de vista de Ihan Barbosa a seguir.
Confea – Quais são as principais implicações do uso da IA atualmente nas construções do Brasil? Estamos muito atrás de países desenvolvidos?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Muito se fala sobre produtividade com IA, e ela é real, contudo, vejo um outro lado que pode ser ainda mais transformador, a acessibilidade e a segurança.
A IA pode auxiliar na detecção de desvios de segurança em canteiro, no controle de equipamentos por comando de voz e até por linguagem de sinais, tornando o ambiente de trabalho mais acessível para profissionais com deficiência auditiva. Hoje, empresas já atuam com IA na análise de documentações técnicas, cronogramas e contratos, e em inspeções de campo com drones e visão computacional.
O Brasil ainda caminha a passos mais lentos, porém a diferença vem diminuindo. Os EUA e a China dominam o mercado com os principais modelos de IA. Recentemente, vimos o governo dos EUA bloquear o acesso aos modelos mais avançados para cidadãos estrangeiros, o que coloca o Brasil e os demais países sem modelos próprios em uma posição frágil.
Reforçando a necessidade de investirmos em capacitação e em soluções adaptadas à nossa realidade, e não depender exclusivamente de tecnologia estrangeira.
Confea – E quanto às áreas, a gestão de riscos e a gestão de projetos são as etapas onde a IA é mais utilizada?
Eng. civ. Ihan Barbosa – A IA vem sendo aplicada a diversas áreas da engenharia. Sem dúvida, gestão de projetos e gestão de riscos são áreas prioritárias, mas a IA não se limita a elas.
Hoje, vemos a IA sendo aplicada em todo o ciclo de vida do empreendimento, da concepção à operação do ativo, auxiliando desde a análise de pranchas, contratos e cronogramas, até o monitoramento contínuo de estruturas por meio de gêmeos digitais.
Um dos meus primeiros projetos de IA foi justamente para gestão de riscos.
A IA consegue auxiliar em todas as etapas, passando pela identificação, qualificação e controle dos riscos. Com pontos de controle onde o engenheiro valida cada etapa antes de prosseguir, a decisão final sempre é humana, e colhemos bons frutos nesse processo.
Em todas as áreas da engenharia, conseguimos utilizar a IA, contudo, o grande gargalo está nos dados.
Nem todas as empresas possuem dados históricos estruturados para possibilitar, por exemplo, uma análise preditiva de riscos ainda na etapa de concepção do empreendimento.
Confea – Como associá-la ao BIM? E como saber qual é a ferramenta mais vantajosa entre elas?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Muito boa pergunta! Antes de trabalhar com IA, tive a oportunidade de atuar na implementação da metodologia BIM em órgãos públicos e em grandes empresas do país nos setores de mineração, petróleo e construção civil.
A metodologia BIM, quando implementada da forma correta, acelera a adoção de IA nos processos, atuando como uma camada estruturante para os dados do projeto.
Um fluxo de trabalho muito comum em construtoras, por exemplo: quando o time de campo tem alguma dúvida sobre o projeto, precisa se comunicar com o escritório ou projetista para obter uma resposta. Às vezes, essa resposta demora e atrasa a execução de alguma atividade, ou pior, a atividade é executada com uma informação desatualizada.
Agora com IA, o engenheiro pode acionar um agente de IA no seu WhatsApp e esse agente, que possui em sua memória todos os padrões construtivos da empresa, consulta os dados do projeto direto do modelo BIM, extrai as informações e as envia para o engenheiro em tempo real. Um processo que antes levava horas, ou dias, agora acontece em segundos.

A chave aqui não é escolher uma ferramenta de IA e implementar em larga escala. Somos o segundo país que mais utiliza IA generativa no mundo, segundo uma pesquisa da Cisco, mas não vejo isso se traduzindo em aumento de produtividade nas empresas.
Para se obter ganhos reais com IA, precisamos identificar onde estão os maiores gargalos e trabalhar em cima do que realmente gera valor. Nesse sentido, o que é mais vantajoso, de fato, é desenvolver ferramentas personalizadas que tragam benefícios reais e mensuráveis.
Confea – Que instrumentos/ferramentas podem ser utilizado(a)s de maneira mais elementar pelos engenheiros civis para conseguir atuar por meio de IA nas construções?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Acredito que é muito importante que os engenheiros tenham o primeiro contato com IA o quanto antes. Assim como qualquer ferramenta, você se torna melhor com a prática.
A porta de entrada, e acredito que a maioria já tenha passado por ela, é a IA generativa, famosa por ferramentas de chat como ChatGPT, Gemini ou Claude. Com elas, o engenheiro já consegue ganhos imediatos no dia a dia: analisar planilhas de quantidades, revisar cronogramas, resumir diários de obra, montar apresentações.
Depois disso, o caminho natural é começar a usar IA dentro de ferramentas que o engenheiro já conhece. Vários softwares BIM, de planejamento e de gestão já trazem funcionalidades de IA embarcadas. A curva de aprendizado é menor porque a IA está integrada ao fluxo que ele já domina.
E onde a coisa fica realmente interessante é quando o profissional ou a empresa começa a desenvolver soluções próprias agentes de IA, automações, ferramentas personalizadas para os problemas específicos daquele contexto.
Eu já tenho atuado nesse último nível, recentemente construí um time de agentes de IA conectados ao Autodesk Construction Cloud que faz a gestão de projetos, usuários, empresas e arquivos de forma autônoma. Isso exige um pouco mais de conhecimento, mas é onde a IA deixa de ser curiosidade e passa a ser vantagem competitiva.
Confea – É viável pensar em usos próprios, particulares, em conformidade com as demandas de um país tão diversificado como o Brasil?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Não só viável, é mais que necessário!
Como comentei, a IA gera mais valor quando feita especificamente para solucionar um problema real. E o Brasil possui uma realidade muito específica: extensão territorial, regiões com características climáticas e culturais distintas, diversidade de métodos construtivos, diferentes níveis de acesso à tecnologia e mão de obra especializada.
Isso exige soluções adaptadas ao nosso contexto.
Uma ferramenta genérica, sem treinamento na nossa realidade, nas nossas normas, nos nossos métodos construtivos e nos nossos tipos de materiais pode gerar informações equivocadas. E quando o engenheiro não confia na ferramenta, ele prefere voltar para o Excel.
Normas como a NBR 15575 de desempenho, por exemplo, possuem especificidades que nenhuma ferramenta internacional atende nativamente. Já uma IA treinada no contexto brasileiro, seria capaz de cruzar requisitos normativos com o projeto de forma automática.
Confea – Qual a importância da formação em IA para a Engenharia Civil atualmente?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Diferentemente de outros tipos de conhecimento, saber IA não te amplifica somente como profissional, te amplifica como ser humano. Muda sua perspectiva e entra para o seu dia a dia, é um caminho sem volta!
Quando falamos de IA para Engenharia, não há ninguém melhor para implementar IA em um processo, que aquele que vive ele diariamente.
Todos nós, engenheiros, devemos buscar fluência em IA, você não precisa se tornar um programador ou expert em tecnologia, não precisamos desenvolver nada do zero, mas sim saber como aplicar cada uma das tecnologias já existentes para gerarmos o máximo de valor agregado em nossos projetos, saber fazer as perguntas certas, e principalmente, analisar criticamente as respostas.
Profissionais que entendem como aplicar essa tecnologia no seu âmbito de trabalho já estão saindo na frente. O maior risco do desemprego pela IA não será causado diretamente pela tecnologia, como muitos pensam, mas sim, pela defasagem produtiva que aqueles que ignoram a IA terão frente aos que já se adaptaram.
Eu acredito fortemente que as habilidades analíticas e a resiliência que nós engenheiros temos e nos são ensinadas desde a faculdade aceleram muito a aprendizagem constante desse tema. Nesse sentido, é imprescindível que as universidades considerem também o ensino de IA para engenharia como uma matéria obrigatória e não como disciplina optativa. Ter esse contato ainda na faculdade pode trazer mudanças estruturais para o nosso setor.
Confea – Como você identifica essa espécie de setorização, ou dedicação personalizada, permitida pela IA, quando, por exemplo, o engenheiro se vê livre para utilizar a ferramenta para fazer o levantamento da gestão de riscos por meio da IA, apenas validando esse levantamento e podendo se dedicar mais pessoalmente a outras etapas?
Eng. civ. Ihan Barbosa – O modelo de atuação híbrida e colaborativa entre engenheiros e agentes de IA será o novo normal em pouco tempo.
Estamos apenas arranhando a superfície das possibilidades de aplicação de IA no nosso setor, aos poucos estamos identificando cada processo que podemos automatizar, mantendo ou melhorando o prazo e a qualidade da entrega.
Hoje, um engenheiro de obras gasta uma parcela significativa do seu tempo em tarefas operacionais como preencher diários de obra, escrever relatórios, montar e atualizar cronogramas de avanço. São tarefas necessárias, mas deixa a capacidade de resolução de problemas e geração de valor do engenheiro subutilizada, e é aqui, que entramos com a IA que consegue absorver de forma quase integral essa camada operacional.
No meu dia a dia, eu utilizo um time de agentes de IA, cada um com sua atribuição, como se fossem cargos em uma empresa. Um cuida da parte financeira, outro dos projetos, outro da comunicação com os stakeholders. Eles executam as tarefas operacionais e me consultam quando surgem dúvidas, dessa forma eu me concentro nas decisões mais estratégicas e que realmente precisam de julgamento humano.
No exemplo da gestão de riscos, a IA faz o levantamento inicial, varre documentos, identifica padrões, cruza com histórico e o engenheiro entra no ponto de maior valor que é a validação e o julgamento técnico. Ele continua participando ativamente da gestão de riscos, mas agora, de forma mais qualificada, focando no que realmente importa.
Essa atuação híbrida entre engenheiro e IA é completamente saudável, desde que o profissional entenda que delegar a parte operacional não é terceirizar a responsabilidade. A ART continua tendo um nome e um registro no Crea.
Confea – Na Soea de 2025, em Gramado, você apontou ainda que esse papel do engenheiro se torna mais estratégico e analítico, e bem menos operacional. Essa simplificação traz algum risco para o profissional, a longo prazo?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Eu estaria mentindo se dissesse que não.
Há um risco na perda do senso crítico do profissional que utiliza IA. Se o engenheiro passa a delegar 100% do trabalho e para de revisar a saída da IA, aos poucos ele perde a capacidade analítica que possui. A realidade é que precisamos tratar a IA como um funcionário novo na empresa, dando todo o direcionamento necessário e revisando a entrega em um trabalho crítico.
Um outro ponto, é que, se todos temos acessos às mesmas ferramentas, não existe um diferencial competitivo tecnológico, ele passa a depender do fator humano.
Um engenheiro sênior com uma ferramenta de IA tende a gerar muito mais valor que um engenheiro júnior com uma ferramenta similar ou até melhor.
Mas esses riscos que comentei, existem com ou sem IA. Quando um engenheiro cria dependência de uma ferramenta, seja um software de cálculo estrutural, uma planilha ou até mesmo se acostuma a pedir ajuda a um colega mais experiente, ele está correndo o mesmo risco de perder o senso crítico e competitividade.
A implementação de IA nos processos não é um problema. O problema real está na terceirização do pensamento crítico, em aceitar uma resposta sem conferir se o resultado faz sentido ou não, para que isso não ocorra, é necessário responsabilidade e maturidade profissional.
Confea – Fale sobre a importância da visão computacional para monitoramento em tempo real, associada à integração de dados obtidos através de imagens reais que são fornecidas à IA.
Eng. civ. Ihan Barbosa – Quando falamos de uso de IA para construção, a tecnologia que brilha é a visão computacional, sem sombra de dúvida, e não é por acaso que é uma das áreas da IA que me deixa mais interessado. Através dela, conseguimos integrar a IA ao mundo físico e potencializar nossas obras.
Uma aplicação prática é a implementação de câmeras com IA embarcada na obra. Esse tipo de tecnologia abre um leque de possibilidades, como o acompanhamento do avanço físico, detecção de comportamentos incomuns, identificação de áreas de risco, gestão de produção de equipamentos de grande porte e monitoramento de EPIs.
Um outro exemplo, é a utilização de Visão Computacional para realização de perícias e inspeções em estruturas existentes. Podendo ser realizada através de drones equipados com câmeras em ambientes de difícil acesso como barragens, pontes e plataformas. Após a captura, a IA analisa detalhadamente cada frame do vídeo em busca de trincas, fissuras, e deformações excessivas em elementos críticos. Classifica cada um dos pontos identificados com relação à criticidade e necessidade de intervenção, deixando a parte estratégica e tomada de decisão para o humano, reduzindo sua exposição ao risco ao mesmo tempo que acelera a tomada de decisão baseada em dados.
Algumas empresas já largaram na frente e estão colhendo bons resultados, um exemplo é a Vale, que já utiliza visão computacional integrada ao monitoramento de barragens para garantir a segurança da operação.
Confea – A IA, associada a outras inovações, pode contribuir para reverter o desinteresse da geração atual pela engenharia civil?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Acredito fortemente que sim.
Muitos têm uma visão limitada da engenharia civil, associam a profissão com algo arcaico, onde se lida com canteiro de obra, prancheta e planilhas. E para quem cresceu em um mundo digital, isso parece um pesadelo.
Mas a realidade em 2026 é outra, empresas estão passando por uma transformação digital acelerada, impulsionada pelo decreto BIM de 2024. Grandes empresas já realizam acompanhamento de obras com dashboards interativos e vinculados a dados em tempo real, vinculados a um gêmeo digital do empreendimento.
O que sinto é que a nova geração não está desinteressada na engenharia. Ela está desinteressada em trabalhar da mesma forma arcaica que seus avós trabalhavam. A IA associada ao BIM, IoT e automação, muda completamente isso, redefinindo o que é possível no nosso setor, abrindo oportunidades incríveis de transformação.
E, além de atrair esses novos profissionais, com a IA temos a chance de resgatar profissionais que consideram ou já migraram para áreas de tecnologia. A IA nos mostra que dá sim pra atuar com tecnologia de ponta, e sem abandonar a engenharia.
Confea – A predição e a capacidade de renovar o conhecimento podem contribuir para a formação e a própria construção da trajetória dos profissionais da engenharia?
Eng. civ. Ihan Barbosa – Com certeza.
Os engenheiros desenvolvem uma capacidade muito forte de antecipar problemas, um engenheiro experiente praticamente sente quando tem alguma coisa errada no projeto, agora, com o apoio da IA, esse engenheiro consegue ter acesso aos dados em tempo real, cruzar informações de cronogramas, riscos e fornecedores com o mínimo de esforço e entender se o que está incomodando faz sentido ou não.
Nesse ponto, a IA não substitui a experiência do engenheiro, mas potencializa, através do acesso a dados confiáveis de forma rápida. Já para um profissional no início da carreira, a IA pode atuar como um conselheiro, ajudando em momentos de dificuldade e esclarecendo pontos de dúvida no dia a dia.
O outro ponto, sobre a renovação do conhecimento. Na engenharia civil, temos uma evolução constante, novos materiais são criados, normas são revisadas, métodos construtivos alterados, e para um engenheiro se manter competitivo, sempre foi necessário se atualizar. A IA nesse caso, pode atuar como um assistente de aprendizado, te atualizando sobre as novidades de mercado, resumindo e traduzindo artigos de outros idiomas, auxiliando na interpretação de normas técnicas e muitas outras possibilidades.
A utilização da IA dessa forma híbrida, com a revisão e acompanhamento humano, vai contribuir bastante para termos uma engenharia mais tecnológica, baseada em dados e evidências.
Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea
